06/05/2026
B3 passa a aceitar fundos imobiliários como garantia em operações
São Paulo, 06 de maio de 2026 – A B3, bolsa do Brasil, passa a aceitar o depósito de fundos imobiliários (FIIs) como garantia em operações, reforçando seu compromisso em estimular o desenvolvimento do mercado desse produto, um dos preferidos das pessoas físicas.
A medida, que entra em vigor na próxima segunda-feira (11/05) com uma lista prévia de 28 FIIs, tem o objetivo de atender à crescente demanda dos participantes do mercado para ampliar o rol de ativos aceitos para cobertura de margem de risco em operações que envolvem a atuação da B3 como contraparte central.
Na prática, isso significa que investidores poderão utilizar cotas de FIIs elegíveis para compor as garantias exigidas em determinadas operações realizadas no ambiente da B3 que demandam cobertura de margem. Nesse caso, o ativo atua como uma proteção financeira para assegurar que as obrigações assumidas pelos participantes sejam cumpridas, contribuindo para a segurança e a estabilidade do mercado.
Além de ampliar as alternativas para investidores que já utilizam fundos imobiliários em suas carteiras, a aceitação dos FIIs como garantia também deve contribuir para que esse produto ganhe mais espaço entre os investidores que realizam rotineiramente operações que exigem margem.
A aceitação como garantia complementa uma série de medidas adotadas pela B3 para o amadurecimento do mercado de FIIs, reforçando o papel desses fundos como instrumento de diversificação e sua relevância no ecossistema de produtos listados na bolsa. Entre elas estão a liberação do processo de recompra de cotas com finalidade de cancelamento, otimizando a gestão dos fundos; a liberação da negociação de FIIs em grandes lotes e o lançamento de ETFs de FIIs com distribuição de proventos, ocorridos no ano passado.
Além disso, em 2025, os FIIs brasileiros foram equiparados aos REITs (Real Estate Investment Trusts, os fundos imobiliários negociados em bolsas estrangeiras), facilitando sua entrada em índices internacionais e ampliando sua visibilidade.
“A inclusão dos fundos imobiliários como ativos aceitos em garantia pela B3 vem na sequência de recordes de negociação alcançados por esse mercado em 2026, que chegou a R$ 11,4 bilhões no mês de março. Esse é um produto que cada vez mais cresce entre as pessoas físicas, por ser uma alternativa atraente de diversificação, especialmente pela regularidade de pagamento de dividendos com isenção de Imposto de Renda. Agora, tanto esses investidores quanto nossos clientes institucionais e estrangeiros contam com mais um incentivo para incluírem os FIIs aos seus portfólios, o que trará ainda mais profundidade para a liquidez e crescimento estrutural para a classe de ativos”, explica Marcos Skistymas, diretor de Produtos Listados da B3.
Os critérios mínimos para que um fundo imobiliário seja elegível à aceitação em garantias são:
- Mediana do volume diário negociado nos últimos 84 dias igual ou maior que R$ 2 milhões;
- Mediana do número de negócios diário nos últimos 84 dias igual ou maior que 6.000 negócios;
- Presença em pregão de 100% nos últimos 84 dias e
- Preço médio de fechamento maior que R$ 1 nos últimos 84 dias.
Além destes critérios mínimos, a B3 também pode adotar outros critérios adicionais, conforme descrito no seu Manual de Administração de Risco. A lista de FIIs elegíveis e os limites aplicáveis ao depósito em garantia serão divulgados, a partir de 11/05/2026, no site da B3. Essa lista e os respectivos limites serão atualizados pela B3 periodicamente após o lançamento.
Ativos aceitos em garantia somam R$ 733,5 bilhões depositados na B3
Com a inclusão dos fundos imobiliários, a B3 passa a contar com 21 opções de tipos de ativos aceitos como garantia em operações com contraparte central. Confira aqui a lista completa.
Até 4 de maio, o volume total depositado em garantias na B3 foi de R$ 733,5 bilhões, distribuído principalmente entre títulos públicos federais indexados à Selic, que somam R$ 604,6 bilhões e representam 82,4% do total depositado; Ações, ETFs, Units e outros ativos, com R$ 110,7 bilhões, equivalentes a 15,1%; títulos internacionais, com R$ 8,4 bilhões, ou 1,1%%; e títulos privados de renda fixa, como debêntures, com R$ 5,9 bilhões, correspondentes a 0,8%.
Esses números são atualizados diariamente e podem ser consultados no site da B3.
A ampliação do conjunto de instrumentos aceitos faz parte da agenda da B3 para oferecer mais flexibilidade aos participantes, permitindo que diferentes tipos de ativos possam ser utilizados de forma eficiente na gestão de garantias e no cumprimento das exigências de margem.
Contraparte central
A Câmara B3 é responsável pela aceitação, compensação, liquidação e administração de risco de operações do mercado de derivativos, commodities e renda variável, nos mercados de bolsa e balcão, bem como de operações de empréstimo de ativos.
Como contraparte central, a Câmara B3 assume as posições de comprador diante do vendedor e de vendedor perante o comprador, para que as operações sejam realizadas sem riscos para os participantes. A atuação como contraparte exige uma estrutura de salvaguardas, além de uma sofisticada metodologia de cálculo de risco.
A B3 vem buscando ampliar, em conjunto com os reguladores, o rol de ativos que podem ser usados como garantia pela Câmara B3. Em dezembro de 2024, a bolsa do Brasil passou a permitir o depósito de debêntures como instrumento de negociações.