23/07/2026

Infraestrutura é chave para impulsionar próxima fase do mercado de ativos digitais, avalia B3


Felipe Paiva, diretor de Relacionamento com Clientes e Pessoa Física da bolsa do Brasil, discutiu a evolução da tokenização em painel na Expert XP 2026

 

 

São Paulo, 23 de julho de 2026 – O mercado de ativos digitais vive uma nova etapa de desenvolvimento. Após anos de experimentação, o foco deixa de ser apenas a criação de ativos tokenizados para se concentrar na construção da infraestrutura necessária para torná-los escaláveis, seguros e integrados ao sistema financeiro. Essa foi uma das principais mensagens levadas por Felipe Paiva, diretor de Relacionamento com Clientes e Pessoa Física da B3, durante o painel "O futuro já tem preço: o mercado trilionário de ativos digitais", realizado nesta quinta-feira (23), durante a Expert XP 2026.

Segundo o executivo, a tokenização representa uma evolução da infraestrutura do mercado financeiro, mas seu potencial depende da capacidade de integrar diferentes participantes, promover interoperabilidade entre sistemas e garantir liquidação eficiente, segurança jurídica e governança.

"A tokenização vai muito além da digitalização de um ativo. Ela abre espaço para novas oportunidades de negócio e para uma experiência melhor para o investidor, mas isso só acontece quando existe uma infraestrutura capaz de conectar ativos, pagamentos e participantes com segurança e confiança. É essa base que permitirá transformar iniciativas pontuais em aplicações reais e escaláveis para o mercado", afirma Paiva.

Na avaliação de Paiva, o mercado global já demonstra uma mudança importante de perspectiva. Após anos de experimentação, instituições financeiras, bolsas e provedores de infraestrutura passaram a direcionar investimentos para soluções capazes de reduzir custos operacionais, simplificar processos, ampliar a rastreabilidade e tornar a liquidação mais eficiente.

O desafio agora, segundo ele, é construir uma infraestrutura capaz de escalar essas soluções e ampliar as possibilidades para investidores e participantes do mercado.

"Há quatro ou cinco anos, a tokenização era muito mais um ambiente de experimentação. Hoje o mercado amadureceu e a discussão mudou. O desafio agora é construir uma infraestrutura que permita escalar essas soluções, reduzir fricções e criar novas experiências e produtos para o investidor", disse o executivo.

Na avaliação de Paiva, o Brasil reúne condições favoráveis para assumir protagonismo nessa agenda por contar com uma infraestrutura de mercado consolidada, um sistema financeiro altamente digitalizado e um ambiente regulatório atento à inovação. O executivo reforçou que a evolução dos ativos digitais acontecerá de forma complementar ao mercado tradicional, ampliando as possibilidades de distribuição e negociação sem renunciar à proteção ao investidor e da governança.

“O Brasil está muito bem posicionado nessa agenda. Temos uma infraestrutura financeira robusta, Banco Central e CVM alinhados com a evolução desse mercado e um ambiente regulatório que ajuda a dar confiança para que essa transformação aconteça de forma segura. Infraestrutura e regulação caminham juntas para sustentar essa nova fase”, pontua Paiva.

Como exemplo dessa estratégia, a B3 vem desenvolvendo diferentes iniciativas voltadas à infraestrutura para ativos digitais, como a B3RL, stablecoin pareada ao real concebida para funcionar como instrumento de liquidação em operações tokenizadas, além de uma tokenizadora proprietária. A proposta é permitir que ativos e pagamentos ocorram no mesmo ambiente, reduzindo fricções operacionais e preparando o mercado para uma nova geração de produtos financeiros.

Segundo Paiva, o avanço desse mercado dependerá da colaboração entre bolsas, reguladores, plataformas de investimento, fintechs e provedores de tecnologia para construir uma infraestrutura interoperável capaz de acelerar a adoção de novos produtos.

"Daqui a cinco anos, provavelmente não estaremos mais falando sobre blockchain ou infraestrutura. As pessoas não compram tecnologia, compram confiança e boas experiências. Ao executar nosso trabalho corretamente, a infraestrutura funcionará de forma tão integrada que o investidor perceberá apenas os benefícios que ela entrega, assim como já é o nosso próprio mercado", conclui.