13/06/2023

Ibovespa B3 completa 55 anos: veja 10 curiosidades sobre o índice mais importante do mercado de ações brasileiro


São Paulo, 13 de junho de 2023 – O Ibovespa B3, principal índice de ações do mercado brasileiro, completa 55 anos em 2023 com 86 ativos e um valor de mercado somado de R$ 3,3 trilhões. O índice funciona como um grande termômetro da economia nacional. Ele mede o desempenho das ações mais negociadas na bolsa do Brasil, demonstrando a valorização ou desvalorização média das empresas no dia.

“O índice é sem dúvida uma grande referência para todo o mercado. Cerca de 80% de todo o volume negociado em ações na bolsa pode ser capturado pelo Ibovespa. É por isso que os principais eventos econômicos, políticos e setoriais se refletem no índice, fazendo com que ele seja parâmetro de rentabilidade para investidores não só no Brasil como no mundo todo”, afirma Henio Scheidt, gerente de Índices da B3.

 
  1. Ibovespa B3 no mundo: O índice é negociado também fora do Brasil. Entre as opções de produtos no exterior estão os contratos futuros de Ibovespa negociados nos Estados Unidos e o ETF (fundo de investimentos listados em bolsa que replicam o desempenho de um índice de referência) negociado no Japão.
     
  2. Maiores altas: A maior alta para um dia, de 36,05%, foi registrada no dia 4 de fevereiro de 1991, início do Plano Collor 2, que veio carregado de uma expectativa de controle da inflação desenfreada da época, aliado à abertura da bolsa a investidores estrangeiros. Recentemente, a maior alta (a 14ª maior da história do índice) foi registrada no dia 13 de março de 2020, de 13,9%. Em dias anteriores, o índice havia registrado quedas importantes repercutindo o nervosismo do mercado quanto a pandemia da Covid-19, que fez a bolsa acionar o mecanismo de Circuit Breaker seis vezes, em menos de 10 dias.
     
  3. Maiores quedas: A maior queda, de 22,26%, foi registrada no dia 21 de março de 1990, quando o Plano Collor foi anunciado. Recentemente, a maior queda foi de 13,92%, em 16 de março de 2020, repercutindo a incerteza diante da pandemia.
     
  4. Circuit Breaker: Foi acionado pela primeira vez em 1997. O mecanismo funciona para proteger o mercado e acalmar os investidores em momentos de crise ou grande instabilidade no cenário local e mundial, que levam a quedas bruscas na bolsa. O procedimento interrompe a negociação de ativos negociados em bolsa por 30 minutos sempre que o Ibovespa B3 atinge queda de 10% em relação ao fechamento do dia anterior. Após reabertas as negociações, uma nova oscilação negativa de 15%, também em relação ao dia anterior, interrompe as negociações por mais uma hora e, se voltar a cair até 20%, as negociações podem ser interrompidas por período estabelecido pela B3. Desde que foi implementado, o Circuit Breaker já foi acionado 23 vezes, sendo 19 paradas de 30 minutos e 4 paradas de 1 hora. O terceiro estágio nunca foi acionado.

Linha do Tempo Ibovespa B3.png

 

 

5. Quantidade de ativos: A carteira atual do Ibovespa B3, composta de 86 ativos, é uma das maiores da série histórica. Só na década de 80, a quantidade registrada foi superior, com 139 ativos, dado que os critérios de elegibilidade eram diferentes dos atuais.

6. Distribuição setorial: O setor de Materiais Básicos (mineração, siderurgia, madeira e papel etc) lidera a distribuição, com 19 ativos, seguido pelo de consumo cíclico (construção civil, utilidade doméstica, vestuário etc), com 17. Já na carteira de janeiro de 2020, o setor Financeiro representava a maioria do Ibovespa B3, com 15 ativos de um total de 73. Os setores de Saúde e Tecnologia da Informação ganharam representantes no índice em 2020

7. Surgimento do índice: Em janeiro de 1968, a então Bolsa de Valores de São Paulo adotou metodologia criada em 1960 pelo professor Mário Henrique Simonsen e adaptada em 1966 pelo então superintendente executivo técnico da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, Luiz Sérgio Coelho de Sampaio. O economista concebeu e implantou várias alterações metodológicas no antigo índice, conhecido como IBV, tornando variável o número de ações componentes da carteira e introduzindo os ajustes decorrentes dos eventos (dividendos, bonificações etc.) ocorridos com as ações selecionadas.
As mudanças de carteiras seriam feitas a cada quatro meses porque assim as duas primeiras cairiam depois dos feriados de 1º de janeiro e 1º de maio. Esse dia sem pregão era fundamental para que houvesse tempo de refazer os cálculos e anunciar a nova composição da carteira. Até hoje, a carteira é revisada quadrimestralmente, em janeiro, maio e setembro.

8. Pontuação - Quando o Ibovespa B3 surgiu, atribuiu-se a ele o número 100. Os pontos cresceram tanto nos últimos 55 anos, motivados pela valorização das companhias, as trocas de moedas e a inflação, que a B3 optou por reduzir a pontuação em 11 ocasiões. As “divisões” aconteceram nas situações abaixo, quando o índice estava atingindo um valor que dificultaria sua distribuição e replicabilidade dos produtos financeiros.

 

Adequação Data
Divisão por 100 03/10/1983
Divisão por 10 02/12/1985
Divisão por 10 29/08/1988
Divisão por 10 14/04/1989
Divisão por 10 12/01/1990
Divisão por 10 28/05/1991
Divisão por 10 21/01/1992
Divisão por 10 26/01/1993
Divisão por 10 27/08/1993
Divisão por 10 10/02/1994
Divisão por 10 03/03/1997

 

9. Revisão: a metodologia do índice foi aperfeiçoada em 2014 para acompanhar a evolução do mercado. Foram alteradas, entre outras, regras de ponderação, negociação, limite de participação por empresa e exclusão de ativos em caso de suspensão da negociação ou atingimento de valor abaixo de R$ 1.

10. Como investir no Ibovespa B3 - Por ser uma cesta representativa das ações mais negociadas, muitos produtos financeiros têm como objetivo simular a carteira do Ibovespa B3 para que o resultado do investidor espelhe a variação do índice. É o caso de 8 ETFs e quase 1.400 fundos de investimento. Outros produtos atrelados ao índice são os contratos futuros e opções.